segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Dias vazios




Meus dias têm sido inundados por um completo vazio.
Aquela sensação de que me falta algo. Alguém.
Tem sido difícil procurar qualquer tipo de distração,
com assuntos que não estejam relacionados à você.
Afinal de contas, você é o primeiro e último pensamento
de cada dia, e é também o pensamento que preenche
os espaços ao longo dele.
Ainda não sei dizer se a ficha caiu ou não.
Eu tento me acostumar com a ideia, mas todas as
vezes em que me lembro que nunca mais a verei novamente,
que as mensagens nunca serão respondidas, dói fundo.
Dói muito!
Parece mentira. Infelizmente não é.
O meu único desejo é que tudo isso não passasse
de um longo e terrível pesadelo, e poder acordar amanhã
e ter tudo em seu devido lugar, como estava há uma semana atrás.
A chuva cai lá fora e também dentro de mim.
Isso me lembra você dizendo: "chuvinha boa pra dormir".
Aliás, ultimamente, você tem estado presente em tudo.
No barulho da chuva no telhado, no sol nascendo lindo e
brilhando intensamente, no som dos pássaros cantando na janela,
no sol se pondo em um belo fim de tarde.
Cada música que ouço tem um pouco de você.
Às vezes paro e peço pro tempo pra você voltar,
qualquer coisa que não te deixasse partir.
Mas não há!
A vida é assim...




quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Olhos de mar, sorriso de verão...



Nunca soube lidar muito bem com a morte.
Esse é um daqueles mistérios da vida,
que nos fazem questionar sobre tudo,
e é também a única certeza que temos.

A gente ri, chora, brinca, canta, sonha, faz planos...
mas a vida prega peças na gente, e de repente tudo muda, tudo acaba.
Uma pequena distração e pronto! A vida escorre pelas mãos.
De repente o coração tão livre, tão alegre,
tão vivo simplesmente pára de bater.
E não podemos fazer nada, ficamos impotentes.
A ficha demora a cair. Tudo fica suspenso.
A incredulidade, o choque, a dor, o vazio, a ausência.
Até a primeira lágrima cair, e então, num rompante
de desespero sentir como se uma parte de você fosse
arrancada contra a sua vontade.
Então você chora, chora muito, como se sua dor
saísse com suas lágrimas, mas ela não sai.

Me peguei lembrando de como tudo começou, do jeito mais aleatório,
engraçado e até ousado possível.
Me lembro de cada conversa que tivemos, de todos
os sorrisos que arrancou de mim sem sequer fazer esforço,
da nossa sintonia inexplicável, mesmo porquê
essas coisas não têm explicação, mas que nós entendíamos muito bem.
Do fato de os ponteiros do meu relógio terem parado de funcionar,
no exato momento em que eu te encontrei naquela tarde ensolarada,
e eu nunca cheguei a te contar isso.
Na hora eu não entendi, mas depois tudo fez sentido.
Do nosso momento de contemplação da natureza,
os pássaros, as árvores, o sol se pondo.
Nossas conversas pelas ruas, sobre os planos de viajar o mundo.
As risadas no terraço, e o som da roda de capoeira que estava lhe chamando.
A vista da janela e o beijo que fez o tempo parar por um instante.

A última vez em que a vi, deitada na grama, ouvindo um som, à luz do entardecer.
Teu sorriso tão quente quanto uma tarde de verão, teus olhos azuis feito o mar
e teu abraço apertado, acolhedor são as últimas lembranças que tenho de ti.
E é essa a lembrança que quero guardar.

Haviam muitos planos a serem realizados, até mesmo os mais banais,
mas você viveu intensamente a sua vida, viveu muito mais
do que muitos que existiram por mais tempo que você, e apenas existiram.

Como o sol você nasceu, aqueceu e deu mais brilho às vidas de muitos ao seu redor,
e então partiu, se pôs como o sol num fim de tarde.
E dói muito saber que esse sol não voltará no dia seguinte.

Que o universo conspire a seu favor, aonde quer que você esteja.

Linda leoa, você está fazendo muita falta!