domingo, 29 de setembro de 2013

Pesado demais...



Já sentiu como se sua vida meio que
perdesse o sentido de uma hora pra outra?
Como se você se sentisse perdido,
sem saber que rumo tomar, dia após dia?
Como se seu coração passasse a viver um estado letárgico,
a ponto de quase não sentir nada?
Ter seus pensamentos invadidos pelo caos, querer gritar desesperadamente,
e mesmo assim manter-se em silêncio?
Olhar á sua volta e perceber que quem diz que sente muito,
na verdade não se importa?
A vida tem sido uma caminhada à esmo, e ao mesmo tempo,
uma busca constante, à espera de algo que nem se sabe o que é.
Passo por passo, meio trôpegos, assim o tempo passa,
lento em agonia, pesado demais...




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Dias vazios




Meus dias têm sido inundados por um completo vazio.
Aquela sensação de que me falta algo. Alguém.
Tem sido difícil procurar qualquer tipo de distração,
com assuntos que não estejam relacionados à você.
Afinal de contas, você é o primeiro e último pensamento
de cada dia, e é também o pensamento que preenche
os espaços ao longo dele.
Ainda não sei dizer se a ficha caiu ou não.
Eu tento me acostumar com a ideia, mas todas as
vezes em que me lembro que nunca mais a verei novamente,
que as mensagens nunca serão respondidas, dói fundo.
Dói muito!
Parece mentira. Infelizmente não é.
O meu único desejo é que tudo isso não passasse
de um longo e terrível pesadelo, e poder acordar amanhã
e ter tudo em seu devido lugar, como estava há uma semana atrás.
A chuva cai lá fora e também dentro de mim.
Isso me lembra você dizendo: "chuvinha boa pra dormir".
Aliás, ultimamente, você tem estado presente em tudo.
No barulho da chuva no telhado, no sol nascendo lindo e
brilhando intensamente, no som dos pássaros cantando na janela,
no sol se pondo em um belo fim de tarde.
Cada música que ouço tem um pouco de você.
Às vezes paro e peço pro tempo pra você voltar,
qualquer coisa que não te deixasse partir.
Mas não há!
A vida é assim...




quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Olhos de mar, sorriso de verão...



Nunca soube lidar muito bem com a morte.
Esse é um daqueles mistérios da vida,
que nos fazem questionar sobre tudo,
e é também a única certeza que temos.

A gente ri, chora, brinca, canta, sonha, faz planos...
mas a vida prega peças na gente, e de repente tudo muda, tudo acaba.
Uma pequena distração e pronto! A vida escorre pelas mãos.
De repente o coração tão livre, tão alegre,
tão vivo simplesmente pára de bater.
E não podemos fazer nada, ficamos impotentes.
A ficha demora a cair. Tudo fica suspenso.
A incredulidade, o choque, a dor, o vazio, a ausência.
Até a primeira lágrima cair, e então, num rompante
de desespero sentir como se uma parte de você fosse
arrancada contra a sua vontade.
Então você chora, chora muito, como se sua dor
saísse com suas lágrimas, mas ela não sai.

Me peguei lembrando de como tudo começou, do jeito mais aleatório,
engraçado e até ousado possível.
Me lembro de cada conversa que tivemos, de todos
os sorrisos que arrancou de mim sem sequer fazer esforço,
da nossa sintonia inexplicável, mesmo porquê
essas coisas não têm explicação, mas que nós entendíamos muito bem.
Do fato de os ponteiros do meu relógio terem parado de funcionar,
no exato momento em que eu te encontrei naquela tarde ensolarada,
e eu nunca cheguei a te contar isso.
Na hora eu não entendi, mas depois tudo fez sentido.
Do nosso momento de contemplação da natureza,
os pássaros, as árvores, o sol se pondo.
Nossas conversas pelas ruas, sobre os planos de viajar o mundo.
As risadas no terraço, e o som da roda de capoeira que estava lhe chamando.
A vista da janela e o beijo que fez o tempo parar por um instante.

A última vez em que a vi, deitada na grama, ouvindo um som, à luz do entardecer.
Teu sorriso tão quente quanto uma tarde de verão, teus olhos azuis feito o mar
e teu abraço apertado, acolhedor são as últimas lembranças que tenho de ti.
E é essa a lembrança que quero guardar.

Haviam muitos planos a serem realizados, até mesmo os mais banais,
mas você viveu intensamente a sua vida, viveu muito mais
do que muitos que existiram por mais tempo que você, e apenas existiram.

Como o sol você nasceu, aqueceu e deu mais brilho às vidas de muitos ao seu redor,
e então partiu, se pôs como o sol num fim de tarde.
E dói muito saber que esse sol não voltará no dia seguinte.

Que o universo conspire a seu favor, aonde quer que você esteja.

Linda leoa, você está fazendo muita falta!


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Reflexo


Abro a janela, o vento sopra forte em minha direção.
Olho pro tempo e ele corre rápido demais.
Tropeço em fragmentos do passado, eu sinto a nostalgia tomar conta de mim.
Me vejo neles, mas não me reconheço.
Há uma estranha ali.
Estranha mente que habita o corpo hoje.
O olhar já não é mais o mesmo, há uma profunda melancolia onde havia alegria outrora,
alegria essa que pintava sorrisos, que hoje são tão raros...
As feições são de quem já passou por muita coisa e amadureceu com isso,
aprendeu mesmo sem querer.
O tempo deixou marcas profundas, porém quase invisíveis.
O coração, mesmo depois de um bom tempo congelado em indiferença,
voltou a bater como antigamente, somente um pouco mais surrado.
No lugar da frieza, sentimentos cada vez mais à flor-da-pele.
As lágrimas que não eram tão comuns, viraram parte do dia-a-dia,
para externar o que não consegue ser dito.
As lembranças ruins já não doem como antigamente e
as boas apenas me trazem saudade do que um dia eu vivi.
Me olho no espelho refletido.
Já não sou mais a mesma pessoa.
E eu sei exatamente em que parte do caminho eu mudei.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Rascunho I

Todo sentimento que dura muito tempo,
acaba por se fazer forte e se impregna
profundamente em quem o sente e em cada
situação à sua volta, sejam músicas,
filmes, fotografias ou em textos.
Mesmo que se queira deixar tal sentimento
de lado, as lembranças sempre vêm à tona.
Até mesmo as lembranças do que nunca chegou
a acontecer, mas que se desejou intensamente
que se tornasse realidade.



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Universo Paralelo



Um lugar escuro, longe daqui.
Te pego pela mão e te guio
até o fim do extenso corredor.
Não nos importamos com os olhares
alheios lançados sobre nós.
Estamos em um universo paralelo,
onde nos pertencemos e nada mais existe.

Chegamos ao fim do corredor,
e você suavemente se volta pra mim.
Nos seus olhos eu vejo claramente que você me quer,
e o quanto você me quer, e não é pouco.
Não solto minha mão da sua, e então te puxo
de leve pela cintura, até colar seu corpo no meu.

Sinto sua respiração rápida e curta.
Tanta proximidade só faz aumentar a vontade.
Eu beijo seu pescoço com carinho, até você se arrepiar,
enquanto minha mão, sem pudores, percorre livremente
todo o seu corpo...até chegar lá.
Intercalo beijos e mordidas em seu queixo
e sua respiração se torna cada vez mais ofegante.

Sinto o seu abraço apertado e a vontade de
não mais me soltar.
Finalmente meus lábios encontram os seus, e em
um beijo longo, quente e lento eu tenho a
certeza de que você será inteiramente minha.



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dias cinzas




Há dias não escrevo nada.
Meus pensamentos têm sido confusos,
tanto quanto meus sentimentos.
Chove lá fora. E as gotas caem furiosamente
como as lágrimas que insisto em guardar.
Chove dentro de mim.

Os dias têm sido estranhos. Cinzas.
Desacostumei-me com dias cinzas,
quando aprendi a gostar dos dias de sol.
Dias esses, que não vejo mais.
E apenas vejo, quando olho para trás.

Tenho sido tomada por uma paranoia constante.
Ela me ilustra situações inexistentes.
Possibilidades inexistentes.
Mas por alguma razão desconhecida,
eu ainda espero algo acontecer.
Não sei exatamente o quê. Eu apenas espero.

Já sei que é tarde demais,
que as coisas mudaram,
que o tempo passou.
Mas não há nada que me convença
a desistir do que quero sentir,
e saber que valeu a pena tudo o que foi dito.
Mesmo que eu tenha a certeza de estar enganada.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

LA DOULEUR EXQUISE



La douleur exquise; em francês:
a intensa dor no coração de desejar alguém
e saber que nunca poderá ter.






domingo, 3 de fevereiro de 2013

Masoquismo sentimental





Pode não parecer, mas eu me importo
muito mais do que gostaria.
Posso não demonstrar, mas aqui dentro dói
bem mais do que eu posso suportar.
Eu disfarço com alguns sorrisos amarelos,
e algumas palavras triviais
de como o dia foi enfadonho e entediante,
igual a todos os outros.
Mas a verdade é que eu sinto demais.

Por fora, a expressão transparece calma.
Por dentro, o turbilhão de pensamentos é torturante.
Meu próprio silêncio me sufoca.
Palavras que nunca serão ditas.

Aprendi a guardar minha dor em um lugar inacessível.
Aprendi a lidar com ela.
Eu sei que ela está ali.
Eu a sinto!
Mas sei abafar os seus ecos.
Às vezes, eu a tiro de lá de dentro,
para senti-la com mais intensidade.
É o masoquismo sentimental.

Não quero sentir dor, mas preciso
para poder constatar que ainda vivo,
e que aqui ainda pulsa um coração,
mesmo partido em mil pedaços por tantas vezes,
e tantas vezes colados novamente.
Pedaço por pedaço.
Pronto então, para ser partido outra vez.

Acho que me viciei em minha dor.
Acho que tenho alimentado-a indevidamente, dia após dia.
E talvez ela nunca cesse.
Mas eu sei, no fim das contas, tudo isso é em vão,
porque essa dor apenas pertence a mim.