
Há dias não escrevo nada.
Meus pensamentos têm sido confusos,
tanto quanto meus sentimentos.
Chove lá fora. E as gotas caem furiosamente
como as lágrimas que insisto em guardar.
Chove dentro de mim.
Os dias têm sido estranhos. Cinzas.
Desacostumei-me com dias cinzas,
quando aprendi a gostar dos dias de sol.
Dias esses, que não vejo mais.
E apenas vejo, quando olho para trás.
Tenho sido tomada por uma paranoia constante.
Ela me ilustra situações inexistentes.
Possibilidades inexistentes.
Mas por alguma razão desconhecida,
eu ainda espero algo acontecer.
Não sei exatamente o quê. Eu apenas espero.
Já sei que é tarde demais,
que as coisas mudaram,
que o tempo passou.
Mas não há nada que me convença
a desistir do que quero sentir,
e saber que valeu a pena tudo o que foi dito.
Mesmo que eu tenha a certeza de estar enganada.
