quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dias cinzas




Há dias não escrevo nada.
Meus pensamentos têm sido confusos,
tanto quanto meus sentimentos.
Chove lá fora. E as gotas caem furiosamente
como as lágrimas que insisto em guardar.
Chove dentro de mim.

Os dias têm sido estranhos. Cinzas.
Desacostumei-me com dias cinzas,
quando aprendi a gostar dos dias de sol.
Dias esses, que não vejo mais.
E apenas vejo, quando olho para trás.

Tenho sido tomada por uma paranoia constante.
Ela me ilustra situações inexistentes.
Possibilidades inexistentes.
Mas por alguma razão desconhecida,
eu ainda espero algo acontecer.
Não sei exatamente o quê. Eu apenas espero.

Já sei que é tarde demais,
que as coisas mudaram,
que o tempo passou.
Mas não há nada que me convença
a desistir do que quero sentir,
e saber que valeu a pena tudo o que foi dito.
Mesmo que eu tenha a certeza de estar enganada.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

LA DOULEUR EXQUISE



La douleur exquise; em francês:
a intensa dor no coração de desejar alguém
e saber que nunca poderá ter.






domingo, 3 de fevereiro de 2013

Masoquismo sentimental





Pode não parecer, mas eu me importo
muito mais do que gostaria.
Posso não demonstrar, mas aqui dentro dói
bem mais do que eu posso suportar.
Eu disfarço com alguns sorrisos amarelos,
e algumas palavras triviais
de como o dia foi enfadonho e entediante,
igual a todos os outros.
Mas a verdade é que eu sinto demais.

Por fora, a expressão transparece calma.
Por dentro, o turbilhão de pensamentos é torturante.
Meu próprio silêncio me sufoca.
Palavras que nunca serão ditas.

Aprendi a guardar minha dor em um lugar inacessível.
Aprendi a lidar com ela.
Eu sei que ela está ali.
Eu a sinto!
Mas sei abafar os seus ecos.
Às vezes, eu a tiro de lá de dentro,
para senti-la com mais intensidade.
É o masoquismo sentimental.

Não quero sentir dor, mas preciso
para poder constatar que ainda vivo,
e que aqui ainda pulsa um coração,
mesmo partido em mil pedaços por tantas vezes,
e tantas vezes colados novamente.
Pedaço por pedaço.
Pronto então, para ser partido outra vez.

Acho que me viciei em minha dor.
Acho que tenho alimentado-a indevidamente, dia após dia.
E talvez ela nunca cesse.
Mas eu sei, no fim das contas, tudo isso é em vão,
porque essa dor apenas pertence a mim.