domingo, 3 de fevereiro de 2013
Masoquismo sentimental
Pode não parecer, mas eu me importo
muito mais do que gostaria.
Posso não demonstrar, mas aqui dentro dói
bem mais do que eu posso suportar.
Eu disfarço com alguns sorrisos amarelos,
e algumas palavras triviais
de como o dia foi enfadonho e entediante,
igual a todos os outros.
Mas a verdade é que eu sinto demais.
Por fora, a expressão transparece calma.
Por dentro, o turbilhão de pensamentos é torturante.
Meu próprio silêncio me sufoca.
Palavras que nunca serão ditas.
Aprendi a guardar minha dor em um lugar inacessível.
Aprendi a lidar com ela.
Eu sei que ela está ali.
Eu a sinto!
Mas sei abafar os seus ecos.
Às vezes, eu a tiro de lá de dentro,
para senti-la com mais intensidade.
É o masoquismo sentimental.
Não quero sentir dor, mas preciso
para poder constatar que ainda vivo,
e que aqui ainda pulsa um coração,
mesmo partido em mil pedaços por tantas vezes,
e tantas vezes colados novamente.
Pedaço por pedaço.
Pronto então, para ser partido outra vez.
Acho que me viciei em minha dor.
Acho que tenho alimentado-a indevidamente, dia após dia.
E talvez ela nunca cesse.
Mas eu sei, no fim das contas, tudo isso é em vão,
porque essa dor apenas pertence a mim.
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